Design All Over

Trends

Quando o Google deixa de ser o primeiro lugar onde pesquisamos

By Helder Santos | 19.08.26
SimbolsAI tools

Durante mais de duas décadas, pesquisar na Internet foi praticamente sinónimo de “ir ao Google”.

Queríamos encontrar um restaurante, esclarecer uma dúvida, comparar um produto, procurar um fornecedor ou perceber melhor determinado assunto? Escrevíamos algumas palavras numa caixa de pesquisa, analisávamos os resultados e começávamos a abrir páginas.

Hoje, o futuro da pesquisa online começa a desenhar-se de forma diferente.

Uma parte crescente das pesquisas já acontece diretamente em ferramentas de Inteligência Artificial. Em vez de procurarmos uma lista de páginas sobre determinado assunto, fazemos uma pergunta e esperamos receber uma resposta.

A diferença pode parecer pequena. Para as marcas, não é.

Da lista de resultados para a resposta

Os motores de pesquisa tradicionais foram construídos em torno de uma lógica relativamente simples: perante determinada pesquisa, apresentam uma lista de resultados que consideram relevantes.

O utilizador escolhe onde clicar.

Com as ferramentas de Inteligência Artificial generativa, essa relação muda. Sistemas como ChatGPT, Gemini ou Perplexity conseguem reunir informação proveniente de diferentes fontes, relacioná-la e apresentar uma resposta estruturada.

Em vez de perguntarmos:

“Agências de branding em Aveiro”

podemos perguntar:

“Que agência na região de Aveiro poderá ajudar uma PME industrial a reposicionar a sua marca e desenvolver uma nova presença digital?”

Já não estamos apenas a pesquisar palavras-chave. Estamos a explicar um problema.

E esperamos que o sistema interprete esse contexto e nos apresente uma solução.

Para as empresas, isto cria uma nova pergunta:

A sua marca é suficientemente clara para que estes sistemas percebam quem é, o que faz e porque é relevante?

O futuro da pesquisa online não significa o fim do SEO

É tentador olhar para esta mudança e concluir que o SEO deixou de fazer sentido.

Não deixou.

Os motores de pesquisa continuam a desempenhar um papel central na descoberta de informação e continuam a ser uma das principais portas de entrada para websites, produtos e serviços.

Mas o percurso de pesquisa tornou-se mais fragmentado.

Uma pessoa pode descobrir uma empresa através do Instagram, aprofundar o assunto no Google, pedir uma comparação ao ChatGPT, consultar opiniões noutros sites e só depois visitar o website da marca.

A pesquisa deixou de acontecer num único lugar.

Por isso, otimizar uma presença digital já não significa apenas tentar alcançar uma boa posição para determinadas palavras-chave.

Significa construir uma presença que possa ser encontrada, compreendida e reconhecida em diferentes contextos digitais.

Se uma IA tivesse de explicar a sua empresa, conseguiria?

Este é talvez o exercício mais interessante para qualquer marca.

Imagine que alguém pergunta a uma ferramenta de Inteligência Artificial:

“O que faz esta empresa?”

A resposta seria clara?

Seria possível perceber rapidamente:

  • qual é a área de atividade;
  • que produtos ou serviços oferece;
  • para quem trabalha;
  • onde opera;
  • aquilo que a distingue;
  • em que áreas possui experiência;
  • e porque deveria ser considerada relevante?

Se esta informação não estiver clara na presença digital da empresa, dificilmente estará clara para quem a procura.

E este não é apenas um problema de Inteligência Artificial.

É, antes de tudo, um problema de comunicação.

Um website bonito já não é suficiente

Durante muito tempo, algumas empresas trataram o website essencialmente como uma apresentação institucional.

Uma homepage visualmente apelativa, algumas páginas de serviços, contactos e pouco mais.

Hoje, um website precisa de cumprir uma função muito mais importante: ser uma das fontes mais completas e credíveis sobre a própria empresa.

Isso significa explicar bem os serviços, apresentar projetos, contextualizar áreas de especialização, responder a dúvidas, demonstrar conhecimento e manter informação atualizada.

Um website deve ser compreensível para uma pessoa que visita a marca pela primeira vez.

Mas também deve possuir informação suficientemente clara e estruturada para ser corretamente interpretada por motores de pesquisa e outros sistemas digitais.

É aqui que conteúdo, estratégia, design e tecnologia deixam de poder trabalhar separadamente.

Produzir mais conteúdo também não resolve o problema

Existe outro risco.

Perante esta transformação, algumas empresas podem concluir que precisam simplesmente de publicar ainda mais.

Mais artigos. Mais textos. Mais páginas. Mais conteúdos produzidos com Inteligência Artificial.

Mas quantidade não cria necessariamente autoridade.

Aliás, à medida que produzir conteúdo se torna mais fácil, ter algo relevante para dizer torna-se mais importante.

Uma marca que publica dezenas de textos genéricos sobre assuntos já repetidos milhares de vezes dificilmente estará a construir uma presença verdadeiramente diferenciadora.

O conteúdo que ganha valor é aquele que demonstra conhecimento real.

Experiência.

Perspetiva.

Casos concretos.

Opinião.

Especialização.

Em resumo: informação que poderia realmente ajudar alguém a tomar uma decisão.

A autoridade digital começa fora do website

Existe ainda outra mudança importante.

Uma marca não é definida apenas pelo que diz sobre si própria.

Também é definida pelo que existe sobre ela noutros locais.

Artigos, notícias, diretórios profissionais, plataformas especializadas, redes sociais, parceiros, clientes, projetos publicados ou referências externas ajudam a construir uma espécie de contexto digital em torno da empresa.

Quanto maior for a coerência entre essas diferentes fontes, mais fácil se torna compreender quem é aquela organização.

Isto significa que relações públicas, branding, conteúdos, SEO, redes sociais e presença institucional estão cada vez mais interligados.

Não porque todos os canais devam dizer exatamente a mesma coisa. Mas porque todos devem apontar para a mesma identidade.

Surge uma nova disciplina: GEO

Nos últimos tempos começou também a ganhar espaço um novo conceito: GEO – Generative Engine Optimization.

Se o SEO procura melhorar a visibilidade nos motores de pesquisa, o GEO procura aumentar a probabilidade de uma marca, entidade ou conteúdo ser corretamente compreendido e utilizado por sistemas de Inteligência Artificial generativa.

A área ainda está a evoluir e seria prematuro tratar GEO como uma fórmula fechada.

Mas alguns princípios são familiares:

  • Informação clara.
  • Conteúdo útil.
  • Estrutura lógica.
  • Especialização.
  • Consistência.
  • Credibilidade.
  • Fontes externas.

Uma presença digital sólida continua, portanto, a ser o ponto de partida.

Talvez a grande mudança seja simplesmente esta: já não estamos apenas a otimizar páginas para pesquisas.

Estamos a construir conhecimento digital sobre uma marca.

A marca continua a ser o elemento central

Toda esta transformação tecnológica pode levar-nos a concentrar demasiado a atenção nas ferramentas.

  • Google.
  • ChatGPT.
  • Gemini.
  • Claude.
  • Algoritmos.
  • SEO.
  • GEO.

Mas existe algo anterior a tudo isso.

A marca.

Se uma empresa não sabe explicar claramente o que representa, nenhuma estratégia de otimização resolverá verdadeiramente o problema.

Se o posicionamento for indefinido, a comunicação será indefinida.

Se os serviços forem apresentados de forma confusa, os sistemas digitais também terão dificuldade em interpretá-los.

Se a empresa não possuir uma voz própria, será cada vez mais difícil distinguir o seu conteúdo num ambiente onde produzir textos, imagens e vídeos se tornou extremamente simples.

Por isso, paradoxalmente, quanto mais avançada se torna a tecnologia, mais importantes se tornam algumas questões fundamentais:

  • Quem somos?
  • O que fazemos realmente bem?
  • Para quem criamos valor?
  • Porque deveriam escolher-nos?

O Google não desapareceu. A pesquisa é que mudou.

Provavelmente continuaremos a utilizar o Google durante muitos anos.

Mas já não podemos assumir que todas as descobertas começam numa página de resultados.

As pessoas pesquisam nas redes sociais.

Perguntam a assistentes de Inteligência Artificial.

Consultam marketplaces.

Procuram opiniões.

Comparam respostas.

Saltam entre diferentes plataformas até formarem uma decisão.

Para as marcas, isto significa que a prioridade não deverá ser perseguir cada nova ferramenta ou algoritmo.

Deverá ser construir uma presença digital coerente, útil e suficientemente clara para funcionar independentemente do lugar onde a pesquisa começa.

Durante anos perguntámos:

“A nossa empresa aparece no Google?”

Talvez esteja na altura de acrescentarmos uma segunda pergunta:

“Quando alguém procura uma solução como a nossa, o digital consegue perceber que nós existimos e porque somos relevantes?”

 

Também poderá interessar:

Muitas publicações não significam comunicar melhor – Porquê?

A Inteligência Artificial não vai simplesmente “despertar”, mas tornar-se cada vez melhor a fingir que o fez

  • Ferramentas europeias de IA: Alternativas e o futuro digital da UE

    A inteligência artificial (IA) tem sido uma das forças impulsionadoras da transformação digital, influenciando tudo, desde o marketing até a análise de dados e comunicação. Neste artigo, exploramos algumas ferramentas de IA europeias e o seu impacto no mercado digital.

  • Website da sua empresa em 2026: 7 sinais de que precisa de um novo site

    Num mundo cada vez mais digital, o website continua a [...]

  • A Inteligência Artificial não vai simplesmente “despertar”, mas tornar-se cada vez melhor a fingir que o fez

    A inteligência artificial não vai tornar-se consciente. E insistir nessa [...]